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Como montar um protocolo de prevenção de lesão por pressão na sua instituição

Por Tamires Lonardo · · Para instituições · 3 min

Equipe de enfermagem reunida em volta de uma mesa com protocolos

As seis etapas do protocolo do Ministério da Saúde, o que a ANVISA pede e como transformar o papel em rotina de equipe, com indicadores para acompanhar.

Quase toda instituição tem um protocolo de prevenção de lesão por pressão. O desafio é que ele saia do papel e vire rotina igual para todos os turnos. Este texto resume o que as referências brasileiras pedem e como organizar a implantação.

O que as referências pedem

O protocolo do Ministério da Saúde, parte do Programa Nacional de Segurança do Paciente, organiza a prevenção em seis etapas:

  1. avaliar o risco na admissão, com escala validada (no Brasil, a mais usada é a de Braden);
  2. reavaliar o risco diariamente e sempre que o quadro mudar;
  3. inspecionar a pele todos os dias, com atenção às proeminências ósseas e à pele sob dispositivos;
  4. manejar a umidade, mantendo a pele limpa, seca e protegida;
  5. otimizar nutrição e hidratação;
  6. minimizar a pressão, com reposicionamento e superfícies adequadas.

A Nota Técnica nº 03/2017 da ANVISA detalha essas práticas e orienta a notificação das lesões pelo Núcleo de Segurança do Paciente. Para a ANVISA, lesões por pressão estágio 3, 4 e não classificáveis estão entre os eventos que não deveriam acontecer em serviços de saúde.

Passo a passo para implantar

1. Forme um grupo responsável

Enfermagem (incluindo o estomaterapeuta, se houver), medicina, nutrição, fisioterapia e o Núcleo de Segurança do Paciente. Defina quem coordena e com que frequência o grupo se reúne.

2. Faça um diagnóstico

Antes de mudar, meça: quantos pacientes têm lesão hoje, em que setores, em que estágio, quantos têm risco avaliado no prontuário. Esse retrato inicial é o que vai mostrar se o protocolo funcionou.

3. Escreva o protocolo do jeito da sua casa

Adapte as etapas à realidade do serviço:

  • quem aplica a escala, quando e onde registra;
  • o que cada nível de risco dispara (ex.: risco alto = colchão de redistribuição + plano de reposicionamento + avaliação nutricional);
  • quais superfícies, coberturas preventivas e produtos de barreira estão disponíveis;
  • como é feito o reposicionamento (frequência individualizada, inclinação lateral de 30°, calcanhares livres, cabeceira até 30° quando possível);
  • cuidados com dispositivos médicos.

4. Facilite a vida da equipe

Protocolos que dependem de memória falham no plantão cheio. Ajudam muito:

  • campos obrigatórios no prontuário para a escala e a inspeção da pele;
  • relógio ou mapa de mudança de decúbito à beira do leito;
  • identificação visual do risco (placa ou pulseira, conforme a política da instituição);
  • kits com o material de prevenção em cada setor.

5. Capacite todo mundo

Treinamento na admissão de novos profissionais e reciclagem periódica, com prática: aplicar a escala em casos reais, reconhecer o estágio 1 em diferentes tons de pele, posicionar corretamente. Envolva técnicos e auxiliares, que fazem a maior parte dos reposicionamentos.

6. Acompanhe indicadores

  • incidência de lesão por pressão (novos casos no período ÷ pacientes em risco);
  • adesão: porcentagem de pacientes com escala aplicada na admissão e reavaliada;
  • distribuição por estágio e setor;
  • lesões relacionadas a dispositivos.

Divulgue os números para a equipe. Quando as pessoas veem o resultado do próprio trabalho, a adesão sobe.

Envolva paciente e família

Explicar o porquê das mudanças de posição e o que observar na pele transforma o acompanhante em aliado, principalmente perto da alta.

Referências

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Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.