Dermatite associada à incontinência: como reconhecer e prevenir
Por Tamires Lonardo · · Para pacientes e cuidadores · 3 min
Por que a pele da região íntima fica vermelha e ferida em quem usa fralda, como diferenciar de lesão por pressão e a rotina de cuidado que previne.
Quem cuida de uma pessoa que usa fralda conhece a cena: a pele das nádegas, da virilha ou entre as pernas fica vermelha, ardida e, às vezes, começa a soltar. Isso tem nome: dermatite associada à incontinência, ou DAI. É uma inflamação da pele causada pelo contato com urina, fezes ou os dois.
A boa notícia é que a DAI pode ser prevenida na maior parte das vezes, e o cuidado certo começa a fazer efeito em poucos dias.
Por que a pele adoece
A pele saudável tem uma camada de proteção que segura a água dentro e mantém as agressões do lado de fora. Quando ela fica muito tempo molhada, essa barreira amolece e se rompe com facilidade. Além da umidade, entram em jogo:
- a urina, que muda a acidez natural da pele e a deixa mais frágil;
- as fezes, principalmente as líquidas, que têm enzimas capazes de "digerir" a pele;
- o atrito da fralda e da limpeza feita com força;
- a pele já frágil de pessoas idosas, desnutridas ou muito doentes.
Por isso, quem tem incontinência fecal, ou fecal e urinária ao mesmo tempo, costuma ter mais risco do que quem perde só urina.
Como ela aparece
- vermelhidão espalhada, sem bordas bem definidas, nas áreas em contato com a fralda;
- pele brilhante, inchada, quente ou com aspecto "molhado";
- ardência, coceira ou dor ao limpar;
- nos casos mais intensos, áreas em carne viva, com pequenas feridas rasas.
Em peles negras e pardas, a vermelhidão pode ser difícil de ver. Fique atento a mudança de cor (mais escura, arroxeada ou mais clara), calor e dor.
Pontinhos vermelhos espalhados em volta da área principal, ou placas esbranquiçadas, podem indicar fungo (candidíase). Nesses casos, o tratamento é diferente: procure avaliação.
É dermatite ou lesão por pressão?
As duas podem aparecer na mesma região e são confundidas com frequência. Algumas pistas ajudam:
- a DAI é espalhada, superficial e acompanha a área da fralda, inclusive dobras sem osso por baixo;
- a lesão por pressão costuma ficar sobre um osso (como o sacro ou o cóccix), tem formato mais definido e pode ser profunda.
Uma pele com DAI fica mais vulnerável e facilita o aparecimento de lesão por pressão. Na dúvida, peça avaliação de um enfermeiro.
A rotina que previne: limpar, proteger, restaurar
A recomendação internacional resume o cuidado em três passos, feitos a cada episódio de incontinência.
1. Limpar com delicadeza
- troque a fralda assim que perceber que está suja ou molhada;
- prefira produtos de limpeza próprios para a pele (com pH próximo ao da pele, sem perfume); o sabão comum resseca e agride;
- não esfregue: limpe com movimentos suaves e seque com toques leves, sem arrastar a toalha.
2. Proteger
Depois de limpar e secar, aplique um protetor de barreira indicado pela equipe (cremes com óxido de zinco, dimeticona ou vaselina, ou películas protetoras em spray ou lenço). Use uma camada fina, que deixe a pele visível. Não é preciso remover todo o creme a cada troca se a pele estiver limpa.
3. Restaurar
Hidrate a pele seca das áreas próximas e mantenha a alimentação e a ingestão de líquidos o melhor possível. A pele se reconstrói melhor quando o corpo está nutrido.
Erros comuns
- usar várias camadas de fralda, absorvente e forro ao mesmo tempo: elas abafam e mantêm a umidade;
- usar talco junto com creme, que forma uma massa difícil de limpar;
- deixar a fralda por mais tempo "porque ainda cabe";
- não investigar a causa da incontinência: às vezes ela pode ser tratada ou reduzida com horário para ir ao banheiro, revisão de medicamentos ou tratamento de infecção urinária.
Quando procurar avaliação
- feridas abertas ou sangramento;
- dor forte, que dificulta a limpeza;
- pontinhos vermelhos ou placas brancas (suspeita de fungo);
- piora mesmo seguindo a rotina por alguns dias;
- febre ou mal-estar.
Referências
- Beeckman D, et al. Proceedings of the Global IAD Expert Panel. Incontinence-associated dermatitis: moving prevention forward. Wounds International, 2015.
- Beeckman D, et al. The Ghent Global IAD Categorisation Tool (GLOBIAD). Skin Integrity Research Group, Ghent University, 2017.
- Wounds International. Incontinence-associated dermatitis (IAD): optimising skin barrier function, a 3-step approach (Made Easy).
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.