Como medir e fotografar uma ferida para acompanhar a evolução
Por Tamires Lonardo · · Para estudantes e profissionais · 2 min
Comprimento, largura, profundidade e túneis medidos sempre do mesmo jeito, e fotos que servem de registro clínico, com consentimento e cuidado com os dados.
"A ferida está melhor" não é registro. Medir e fotografar do mesmo jeito, toda vez, é o que permite saber se o tratamento está funcionando ou se é hora de mudar. Em feridas crônicas, uma redução clara da área nas primeiras semanas é um bom sinal de que a cicatrização está no caminho.
Antes de medir
- posicione o paciente sempre na mesma posição (a pele muda de forma conforme o corpo se move);
- remova o curativo e limpe a ferida antes, para não medir secreção ou restos de cobertura;
- use régua descartável, de uso único;
- registre a localização com precisão (ex.: "região sacral, à direita da linha média").
Comprimento e largura
O método mais usado em serviços de saúde toma o corpo como relógio: 12 horas aponta para a cabeça, 6 horas para os pés.
- Comprimento: a maior medida no sentido cabeça–pés (12–6 h);
- Largura: a maior medida no sentido lado a lado (3–9 h), perpendicular ao comprimento.
Registre em centímetros, com uma casa decimal.
Multiplicar comprimento por largura dá uma estimativa rápida, mas que superestima a área real, principalmente em feridas irregulares. Use sempre o mesmo método no mesmo paciente, para que as medidas sejam comparáveis entre si.
Profundidade
Com um swab estéril, toque o ponto mais fundo do leito, mantendo o swab perpendicular à pele. Marque com os dedos (de luva) a altura da borda, retire e meça na régua.
Túneis e descolamentos
Introduza o swab com delicadeza nas áreas em que a borda está "solta" e registre a extensão e a posição pelo relógio (ex.: "descolamento de 2,0 cm entre 2 e 5 horas"). Nunca force o swab.
O que registrar além das medidas
- tipo de tecido no leito (granulação, esfacelo, necrose), em porcentagem aproximada;
- quantidade e aspecto do exsudato;
- bordas e pele ao redor;
- odor depois da limpeza;
- dor relatada.
Fotografia clínica
A foto não substitui a medida: as duas se completam.
Consentimento e dados
Imagens de saúde são dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. Antes de fotografar:
- peça o consentimento do paciente (ou responsável) e registre;
- não mostre rosto, tatuagens ou outros sinais que identifiquem a pessoa;
- guarde as imagens no sistema da instituição, não na galeria do celular pessoal;
- para usar em aula ou publicação, é preciso autorização específica para isso.
Como fotografar
- mesma distância, mesma posição do paciente e câmera paralela à ferida (sem ângulo);
- luz natural ou clara e uniforme, sem flash estourando o brilho;
- fundo neutro (um campo ou lençol de cor única);
- uma régua com data e identificação codificada ao lado da ferida, na mesma altura dela;
- uma foto de longe (para localizar) e uma de perto (para detalhe).
Referências
- Flanagan M. Wound measurement: can it help us to monitor progression to healing? J Wound Care. 2003;12(5):189-94.
- Langemo D, Anderson J, Hanson D, Hunter S, Thompson P. Measuring wound length, width, and area: which technique? Adv Skin Wound Care. 2008;21(1):42-5.
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.